segunda-feira, 23 de abril de 2018

O que quer o Kim?

Esta semana refleti sobre o delicado jogo diplomático que envolve Trump e Kim.

Não, eles não são loucos como a mídia prega. Não conheço nenhum louco que seja bilionário e tenha estudado na Universidade da Pensilvania e Kim também foi muito bem preparado, apesar de não ter sido o número um para suceder o pai.

Kim já deu fortes sinais: convidou Trump para um encontro, cessou os testes nucleares e levou atletas norte-coreanos para compor um time com atletas sul-coreanos. Este, para mim, foi o movimento no xadrez político mais incrível e belo. Só por isso Kim e Trump já quase merecem o Nobel da Paz.

Kim, com a posse de Trump, se tocou que o caminho que ele estava seguindo o levaria à derrota e à ruína e, neste caso, "ruína" significa "morte". Ele precisava de uma saída que fosse boa para ele, para os EUA e para os seus tradicionais parceiros chineses e russos. Neste momento o resto do mundo com Japão e Coreia do Sul são players secundários.

Se ele seguisse o confronto, mais cedo ou mais tarde aconteceria com a dinastia Kim o mesmo destino de Kadafi e Sadam. Além do passado recente, Kim olha o presente com especial atenção no Afeganistão, Paquistão e Síria.

A chave é olhar o passado, o encontro de Nixon com Mao Tse Tung e eu vejo semelhanças no encontro Trump-Kim com Nixon-Mao. Se estiver certo - e tudo der certo -, a Coreia do Norte se tornará uma espécie de "Segunda China": o embargo econômico acabará, ocorrerá uma rápida industrialização manufaturando produtos de uso intensivo de mão de obra porém com baixo valor agregado. Ruim para o Vietnam e Camboja que já ocupam este nicho há alguns anos. Talvez também concorra com o Paquistão e Bangladesh no setor de confecção, não haverá abertura política e a dinastia Kim continuará no poder.

Este cenário é bom para a China porque sua mão de obra está muito cara para os padrões norte coreanos e eles podem ganhar muito dinheiro como intermediários além de evitar um êxodo em massa da população. Neste aspecto esta solução é particularmente agradável para a Rússia uma vez que a Coreia do Norte também tem fronteira com este país.

Para os EUA é bom porque o custo de ter mais um país pequeno exportando manufatura é pequeno face os benefícios da paz e a redução de despesas militares na região. Sem citar que é bom ter novos negócios com um mercado até hoje inexplorado pelos norte americanos.

A Coreia do Sul ganha a paz, mas perde o sonho da unificação enquanto Kim e família finalmente poderão desfrutar as sonhadas férias na Disney de Orlando em paz. Quer coisa melhor que isto?







terça-feira, 10 de abril de 2018

Decidi avaliar o impacto do socialismo em Cuba

O primeiro passo foi selecionar um país que guardasse boa similaridade com Cuba para comparar um país socialista com um capitalista. A nação escolhida foi a República Dominicana pelos seguintes motivos: (a) Está localizada no Caribe, (b) como Cuba, é uma ilha que vive basicamente do turismo e da agricultura (c) Estão próximas, com clima e geografia similares e (d) no número de habitantes e a densidade demográfica são compatíveis.

O segundo passo foi selecionar alguns indicadores disponíveis num universo de mais de mil e consultar a base de dados do Banco Mundial e avaliar os valores de 1960 (os mais antigos deste banco de dados) e os atuais.

Aos números:

Homicídios dolosos por cem mil habitantes
Selecionei este indicador para comparar o nível de violência.

A República Dominicana só tem dados de 1995 a 2015. Nestes 20 anos houve um crescimento de 37% neste indicador de violência. O último valor registrado é de 17,4 homicídios / 100 mil habitantes.

Cuba só tem dados de 2004 a 2011. Este indicador diminuiu 13% no período e o último valor registrado é de 4,7 homicídios / 100 mil habitantes.

Conclusão: não há dúvidas que Cuba seja além um país menos violento que a República Dominicana, esta tende ao crescimento enquanto Cuba está diminuindo.

Incidência de tuberculose por cem mil habitantes
Selecionei este indicador para avaliar a saúde pública e, de certa forma, as condições sanitárias.

A República Dominicana oferece dados de 2000 a 2017. O último valor é 60 casos / 100 mil habitantes, com uma redução de 40% em 17 anos.

Cuba apresenta dados de 2000 a 2016. O último valor foi 6,9 casos / 100 mil habitantes, uma redução de 43% em 16 anos.

Conclusão: Cuba tem aproximadamente 1/10 dos casos de tuberculose da República Dominicana, o que é uma grande vantagem, mas a taxa de queda tão próxima (40% x 43%) indica que as medidas de tratamento do problema são similares.

Percentual de habitantes no mínimo usando serviços básicos de água potável
Selecionei este indicador para avaliar as condições sanitárias.

República Dominicana: dados de 2000 a 2015, 91,1% para 94,5% (crescimento de 3,7% no período).
Cuba: dados de 2000 a 2015, de 93% para 95,2% (crescimento de 2,4%).

Conclusão: não vejo diferenças significativas.

Consumo de álcool
Selecionei este indicador por puro preconceito, tentando avaliar o nível de insatisfação da população.

Cuba só tem dados de 2015, registrando 5,5 litros por habitante por ano. A República Dominicana consome 7,6 litros por habitante por ano. 

Não conclusivo. O maior consumo na República Dominicana pode indicar simplesmente maior poder de compra e como são dois países turísticos, o consumo dos turistas é contabilizado como consumo interno.

Registros de patentes
Selecionei este indicador por estar relacionado com o nível de educação formal da população.

Cuba registrou 32 patentes em 2016 e 8 patentes em 1963. A República Dominicana registrou 15 em 1963 e 16 em 2016.

Conclusão: registros de patentes são ótimos indicadores de nível educacional e são fáceis de auditar, o que torna um indicador difícil de fraudar. A produção de patentes da República Dominicana se manteve praticamente constante enquanto Cuba quadruplicou no período, indicando um salto educacional após a Revolução de 1959.

Taxa de suicídios
Selecionei este indicador na tentativa de monitorar a insatisfação da população.

Cuba apresenta taxas maiores, porém decrescentes, de 16,4 suicídios por cem mil habitantes para 14 enquanto na República Dominicana os valores estão constantes em 6,8 suicídios por cem mil habitantes.

Não conclusivo. Cuba tem índices maiores que a República Dominicana mas compatíveis com Alemanha e bem menores que o Japão, países de notória qualidade de vida, o que indica que existe um fator cultural muito mais forte que a insatisfação na decisão de encerrar a própria vida.

Expectativa de vida ao nascer
Selecionei este indicador por ser recorrente nos debates sobre o desempenho de Cuba após a Revolução de 1959 e um indicador de qualidade de vida da população.

A expectativa de vida atual em Cuba é 79,5 anos e na República Dominicana, 73,7 anos. Neste aspecto há uma leve vantagem para Cuba, mas como os dois países não são exatamente iguais, uma diferença de menos de 10% talvez não seja significativa.

Em 1960 a expectativa de vida na República Dominicana era de 51,8 anos e em Cuba 63,9 anos. Para fins de comparação, em 1960 esta expectativa de vida era bem maior que a do Brasil (54,2) e México (57,1) e próxima da Argentina (65,2), que à época era considerado um país próspero e de boa qualidade de vida.

Isto nos leva a questionar se Cuba era realmente um país ruim de se viver antes da Revolução. Países notoriamente pobres apresentavam expectativa de vida bem menores em 1960 como, por exemplo Camboja e India (ambos com 41 anos), Quênia (46) e Bolívia (42). O fato é que o cidadão cubano tinha uma expectativa de vida ao nascer em 1960 superior à média da América Latina e Caribe (56 anos) e próximo da média dos países da Europa e Ásia Central (67 anos). É importante destacar que hoje Cuba continua com uma expectativa de vida bem próxima, porém levemente superior, à média destes países e a da República Dominicana está acima da Rússia (71 anos) e levemente abaixo do Brasil (75).

Conclusão: Cuba já tinha uma expectativa de vida grande antes da Revolução de 1959 e esta aumentou num ritmo superior à da Europa e Ásia Central (24,4% x 15%), mas bem inferior à Republica Dominicana (42%) o que indica que já era um país bom de se viver antes da Revolução, comparável com alguns países da Europa.

Imunização contra o sarampo
Selecionei este indicador para avaliar o sistema de saúde pública.

O dado mais antigo da República Dominicana é de 1980, com apenas 30% de imunização e cresceu até os 85% atuais.

A imunização em Cuba era 48% em 1960 e 99% nos dias de hoje. O Brasil tinha 57% da população imunizada em 1960 e 96% atualmente.

Conclusão: aparentemente a Revolução de 1959 melhorou muito a saúde pública em Cuba, mas não podemos dizer que esta era ruim antes da revolução considerando o indicador anterior (“Expectativa de vida ao nascer”)

Conclusões:

(1) Ao contrário do que os meus professores de História disseram, Cuba, antes de 1959 não era um país miserável, pelo contrário, seus habitantes viviam quase tanto tempo com um europeu. Fidel, inclusive, tinha educação superior.

(2) A Esquerda não mente quando afirma que os maiores ganhos da Revolução foram na saúde e na educação.

(3) Como Cuba já era mais avançado que os congêneres e próximo aos países europeus sob certos aspectos não tenho a mínima ideia de como seria o país hoje se a Revolução não tivesse ocorrido. Mas é difícil imaginar tais cenários: o país, em 1960, também parecia com a então próspera Argentina.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O engenheiro que não sabia matemática

Existem dezenas - talvez centenas - de livros classificados como autoajuda. Boa parte tenta ensinar o sucesso, a riqueza e a prosperidade com felicidade. Dentre as várias sugestões, todos tem em comum a importância da persistência, que é fundamental nos negócios, nos relacionamentos e no desenvolvimento de uma nova habilidade.

Talvez o livro mais popular sobre a persistência dos últimos anos seja o Outliers, de Malcolm Gladwell. Embora não seja este o único tema tratado, nem o considere um livro de autoajuda, a obra contribui muito ao enfatizar que para ser realmente bom em alguma atividade são necessárias dez mil horas de diligente treino. Convenhamos que para estudar ou treinar todo este tempo sugerido por Gladwell é fundamental uma persistência incrível.



Se a persistência é tão importante, ela deveria ser ensinada no lar e na escola para já estar sedimentada quando o jovem entrar no mercado de trabalho. Mas eu só vejo a persistência ser estimulada e levada a sério em dois casos no Brasil: na música e no futebol. Talvez seja por isso que a música e o futebol brasileiro sejam respeitados e admirados fora do nosso país.

Parte da nossa tragédia ocorre justamente por esta falta de ensinar e estimular a persistência, contudo o que eu vou relatar não tem valor científico, é meramente observacional, uma constatação de quem convive com muitos professores no âmbito familiar e social e é casado com uma pedagoga: ao chegar no final do ensino médio, principalmente no último ano, o estudante se depara com a necessidade de escolher o curso superior e, se ele apresentou um resultado medíocre em matemática, os pais e professores são uníssonos e desaconselham a escolher engenharia. E o inverso também ocorre: os classificados como bons em matemática são constantemente sugeridos a seguir engenharia.

Dificuldades em matemática na infância e adolescência quase todos nós tivemos, mas nossos pais e professores confortam-se, não estimulam a persistência no aprendizado da matemática e muitas vezes nem tentam encarar o problema como uma questão educacional e de insistência num trabalho duro, mas fundamental. O aluno tem ou não tem jeito para a matemática e pronto. Aceita porque será menos doloroso.

Neste ponto que o livro do Gladwell abre sem querer um horizonte e se encaixa no nosso problema: para ser realmente bom em matemática preciso treinar, estudar e fazer muitos exercícios. Dez mil horas é um bom número. Mas isto não acontece no Brasil, afinal decorar, fazer muitos exercícios e estudar com afinco é coisa de asiático. Não por acaso eles estão dominando o nosso mundo cheio de ocidentais preguiçosos.

Segue a dança. Os apenas bons em matemática poderão se tornar péssimos engenheiros, os que não tem a verdadeira vocação, mas, na esperança de ganhar dinheiro em cima deste dom tão raro no Brasil, conseguem o sonhado diploma. Não por acaso temos tantos engenheiros fazendo trabalhos que não são de engenheiros. São programadores, analistas de sistemas, trabalhadores do mercado financeiro e administradores. As faculdades de engenharia perdem os ruins em matemática, mas que seriam ótimos engenheiros, a despeito das dificuldades dos dois anos iniciais.

E os ruins em matemática? Estes são usualmente estimulados a seguirem carreiras das chamadas Ciências Sociais. Serão sociólogos, historiadores, políticos, advogados e juízes. Sua dificuldade inicial em matemática que poderia ser resolvida por meio de dedicação e foco, se revelará em análises ruins e conclusões erradas pois, sem a matemática, as filhas mais importantes nas Ciências Sociais, a estatística e a financeira, são barreiras intransponíveis e eles não conseguem entender o mundo a sua volta, que é justamente a proposta da Ciência Social. Como uma pessoa péssima em matemática pode julgar um processo de cobrança de impostos entre o governo e uma empresa ou uma dívida entre uma pessoa jurídica e uma física? Como um político pode propor leis tributárias que estimulem empregos sem uma boa base matemática?

A dança ainda não acabou. Os ruins em matemática acabam ocupando os postos mais estratégicos do Estado, como promotores, juízes, políticos e ministros. São profissões muito bem remuneradas o que, aos olhos de um jovem estudante, parecem bem atraentes. O recado que a sociedade transmite para este adolescente é que estudar matemática e ciências vale menos a pena que ter boa retórica. Esqueça os argumentos técnicos e matemáticos e use a garganta e a subjetividade, se possível, deboche com sutileza de quem quer mostrar a solução de um problema por meio de números, dados estatísticos e planilhas. Certamente neste momento o texto o fará lembrar de um professor, um médico, um político ou mesmo um chefe. E não é o seu cérebro te enganando.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Previsões 2018

Declaração de isenção de responsabilidade: este texto foi escrito de boa fé apenas e exclusivamente como um exercício de analise da minha capacidade de prever cenários no prazo de um ano. Não use estas informações para orientar qualquer tomada de decisão, principalmente de investimentos. Existem vários profissionais muito mais qualificados que eu. Desta forma, não me responsabilizo pelo uso das informações e opiniões contidas no meu blog e em especial neste post.

Primeiro a prestação de contas.

No final de 2016 eu publiquei aqui as previsões para o ano de 2017. Estava bem otimista e realmente foi um ano melhor que muitos esperavam. O que ninguém imaginava foram os dois "cisnes negros": a escalada de preços do Bitcoin e a delação do Joesley Batista. O Bitcoin não afetou as previsões mas o Joesley gerou uma crise. Previ 2% de crescimento do PIB e ficamos em 1%. Joesley me levou ao erro, mas é importante lembrar que poucos acreditavam em 2016 que 2017 teríamos algum crescimento. Posso dizer que foi um "meio acerto".

Previ que o Temer não perderia o mandato e acertei

Previ que a CLT seria reformada. Acertei

Previ que o Lula seria condenado em meados do ano de 2017. Acertei na mosca pois ele foi condenado em Julho.

Previ que a Previdência seria reformada. Errei.

Eficiência de 3,5/5 = 70% nada mau. Minha meta é acertar 80% ou mais em 2018.

Para quem quer confirmar as minhas previsões, eis o link:

http://npessoa.blogspot.com.br/2016/12/previsoes-2017.html

Agora as previsões 2018:

Inflação entre 5% e 7%.

Crescimento entre 2% e 2,5%.

Cotação do dolar entre 3,30 e 3,50 reais.

O melhor "investimento" do ano ainda será o Bitcoin.

O segundo melhor investimento do ano será a Bolsa de Valores.

Ibovespa vai chegar entre 80 mil e 87 mil pontos. Recorde nominal.

Agora a mais difícil e polêmica: como será a corrida presidencial?

Eu acho que vai acontecer o seguinte: o TRF4 confirma a condenação do Lula em janeiro ou fevereiro e, ato contínuo, o STF mantém a prisão para condenados em segunda instância. Lula fica preso e fora da disputa. A parte da esquerda que tradicionalmente vota em Lula converge silenciosamente para Ciro Gomes, o plano B, esta somada aos votos no nordeste e parte da região norte levam Ciro ao segundo turno.

Marina fica chupando o dedo pois o seu principal discurso, a questão ambiental, está totalmente fora de moda este ano. Consegue uns 3% ou 4% de votos que migrarão para Ciro.

Bolsonaro tem o discurso relevante da segurança pública que os concorrentes silenciam por ignorância e tenta captar o voto liberal e o jovem de direita, mas não tem estrutura partidária, apoio de governadores e prefeitos nem tempo de TV. Depende muito das redes sociais, um mundo novo que não é trabalhado com a máxima eficácia. Leva uns 10% a 12% dos votos e morre na praia, em terceiro lugar. Vendo que Ciro amealhou o apoio da esquerda, os eleitores de Bolsonaro migram no segundo turno em manada para...

Geraldo Alkimin se firma candidato de centro-direita (embora ele nunca fosse isto), moderado e equilibrado. Vende o peixe de pacificador e administrador e consegue grande parte dos votos de SP e MG. Tem um partido estruturado, que já teve a presidência nas mãos e sabe como o jogo funciona. Tem muito tempo de TV e conseguirá aglomerar os partidos nanicos como nenhum outro. Certamente vai para o segundo turno numa votação apertada e finalmente vence Ciro Gomes no segundo turno, se consagrando presidente.

Meirelles, Amoedo e os demais não decolam.




sábado, 5 de agosto de 2017

Tegimboeji #3

Enfim a Tegimboeji #3 chegou na minha casa enviado pelo Navarro.

Contribui com os seguintes componentes:

 

Recebi a caixa assim, entupida de coisas de sorte que eu tive que arrumar uma caixa maior.




Retirei as seguintes peças:




terça-feira, 30 de maio de 2017

Quinto casamento após um funeral

Me considero o homem dos cinco casamentos. O primeiro foi o casamento no papel e na Igreja, há quase 17 anos. O segundo começou quando compramos o nosso apartamento e sogra1 e sogra2 vieram morar com a gente. O terceiro casamento se inicia quando a Maricota nasce. O quarto com a morte da sogra2 e anteontem, com o falecimento da sogra1, começou o quinto.

O sexto enlace conjugal será quando Mariah sair de casa. Será o pior de todos.

Em cada casamento eu e Luiza, como rabos de lagartixas, éramos cortados e nascíamos de novo, com novos hábitos, novas regras, novos problemas e novas demandas.

Olhando em retrospectiva, todos os quatro casamentos foram muito difíceis e não há sinalização que este quinto matrimônio será moleza, porém certamente será tão divertido quanto estes quase 20 anos de união frenética e piadas incorretas.

Sogra1 morreu, mas desta vez foi diferente: o Alzheimer faz morrer um tiquínho por dia. A morte oficial, aquela que consta nas certidões, missas e lápides, é apenas a conclusão melancólica de uma história previsível, onde os personagens, mesmo os principais, são esquecidos aos poucos, o olhar fica vago e distante e o vocabulário se resume a uma dúzia de palavras.

Eu e Luiza seguimos no luto e na adaptação ao novo matrimônio. Ainda temos nesta semana a missa e alguma burocracia.

Outro dia eu estava na cama com a Mariah quando ela fez um gesto, quase um cacoete, típico da minha mãe. Levei um susto, deu vontade de chorar. Mariah não conheceu a minha mãe e eu não tenho o hábito de fazer aquele gesto específico. Só podia ser a genética. Mariah é 25% minha mãe e, de certa forma, a minha mãe vive no corpo da Mariah.

Mariah é Damaso, Maria Esther, Newton e Dalva em partes genéticas iguais e vocês quatro estão vivos dentro da minha filha. Quem disse que a Ciência não conforta os corações tristes? Saber que a Mariah, o nosso futuro, é a fusão perfeita dos antepassados é o melhor consolo para estes dias tristes.

domingo, 21 de maio de 2017

Terceiro livro de 2017

Eu imagino que os raros leitores deste blog, uma ferramenta, convenhamos, já fora de moda, fiquem refletindo sobre qual é o critério de seleção dos meus livros. A princípio o único pré-requisito é não ser relacionado com o meu trabalho, mas isto não significa que eu não leio livros da minha área, significa somente que estes livros não serão contabilizados na meta anual de livros nem serão exibidos neste espaço. Os livros da meta anual são para desenvolver áreas da mente normalmente ociosas nos humildes engenheiros, como eu.

A partir do momento que atende ao pré-requisito do parágrafo acima, digo que não existe um critério preciso. Pode ser de história, ciência, romance, economia, administração etc. Mas normalmente é derivado de alguma cuiriosidade ou indicação direta ou indireta. Conta pontos se o livro for um clássico pois certamente impressiona os meus leitores uma suposta erudição minha e se for sem custo. Entenda por "sem custo" no sentido amplo, não como pirataria, que eu sou radicalmente contra. São exemplos de conseguir livros sem custo: empréstimos em biblioteca, doações e descarte, empréstimo de amigos e obras de domínio público disponíveis na Internet.

O terceiro livro explica bem o proceso: eu sigo a fan page do professor Stephen Kanitz que, apesar do nome, é brasileiro, e, num post do mês passado, ele deu uma visão não convencional da situação da mulher e das crianças da Inglaterra durante a Rrevolução Industrial. Como prova ele sugeriu ler Charles Dickens. Kanitz não falou qual obra de Dickens ele se referia. Uma breve pesquisa me indicou "Oliver Twist" e "Tempos Difíceis". Procurei na Internet e só encontrei Oliver Twist e comecei a ler.

A versão que eu encontrei disponível na Internet era apenas da parte do livro traduzida pelo Machado de Assis. Por algum motivo o livro, de 53 capítulos, só foi traduzido pelo Bruxo até o capítulo 28. Fiquei na mão.

Neste meio tempo comprei e li todo o livro do post anterior, porém Oliver continuava na minha garganta. Me rendi e comprei a versão impressa do livro, com outra tradução, adaptada para o público jovem, por 33 reais.






De Dickens eu só sabia que o Tio Patinhas foi inspirado em um personagem de um conto de Natal. Que vergonha, não?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Metas 2017

Último e mais aguardado post do ano!

1) Ler 10 livros fora da minha área. Baixei a bola e estou mais realista.
2) Perder 10 quilos.
3) Fazer um curso na área artística. Estou pensando entre teatro ou desenho artístico.
4) Terminar de escrever o livro
5) Começar a escrever outro livro.
6) Aumentar o total dos meus investimentos em 20%
7) Fazer vasectomia
8) Aposentar a velha guerreira Electrolux LE750 e comprar um "robozinho"  lava e seca LG.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Previsões 2017

O Brasil vai crescer 2% em 2017. O pior da crise já passou e poucos perceberam.

1) Ao contrário da Grécia e do que os pessimistas pregam, a nossa economia é forte e somos globalmente bons em setores tão distintos como agronegócio, aviação, minério de ferro, tecnologia bancária e construção civil. O dia que melhorarmos a educação e diminuirmos o governo este país virará uma Austrália em termos de qualidade de vida.

2) A liberação das contas inativas do FGTS vai irrigar a economia no curto prazo. Boa parte deste dinheiro vai para o consumo e quitar dívidas. Parte da dívida que será paga provavelmente será aluguel atrasado. Este dinheiro vai para o locador e este pode gastar uma parte com consumo.

3) A PEC 241 começa a valer em 2017 o que deve frear os gastos do governo e isto significa que ele consumirá menos recursos, liberando dinheiro para o setor produtivo e abrindo o caminho para a queda dos juros. Claro que nos primeiros anos o efeito será imperceptível, mas a partir de 2020 o impacto na economia será, talvez, maior que o Plano Real.

4.1) Não creio que o Temer irá cair. Ele tem o Congresso apoiando e para mim está claro que decidiu ser um novo Itamar Franco (o presidente do Plano Real e certamente o mais sortudo da História) e não um Sarney.

Temer vai reformar a Previdência e da CLT. A reforma da Previdência fará as pessoas aderirem à Previdência Privada, jogando bilhões no setor produtivo e vai deixar pessoas produtivas trabalhando mais tempo, o que é ótimo para o país. A reforma da CLT vai dinamizar o mercado de trabalho e gerará emprego e renda.

4.2) A implantação da aposentadoria por idade incentivará o trabalhador a entrar no trabalho mais tarde ao mesmo tempo que incentiva a ficar mais tempo estudando sem trabalhar. Isto gera um aumento da produtividade a longo prazo. Quem fez engenharia trabalhando sabe o quanto é difícil e ruim para a formação.

5) Lula vai ser preso e não vai conseguir candidatar-se a presidente. A conta é simples: Moro deve condená-lo em meados de 2017. As convenções dos partidos para escolherem os candidados serão no primeiro semestre de 2018. Mesmo que ele seja inocentado em segunda instância e solto (é uma possibilidade não muito remota), não haverá tempo hábil para ele sair da cadeia e se tornar o escolhido numa convenção partidária.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Perguntas, perguntas e mais perguntas

Um bom professor faz uma grande diferença no desenvolvimento do aluno. Mariah está agora me fazendo perguntas difíceis e o pior é que eu não encontro respostas no Google, I love you, professora Virgínia:

"Se você e meus tios estudaram em escolas que não se pagava nada, quem pagava os salários dos professores?"

- Senta aqui porque precisamos falar sobre impostos.

"Por que você vive dizendo para eu fazer medicina se você fez engenharia"

(Esta parece mole, mas também é profunda. Usei a solução universal e joguei a culpa nos outros e me dei uma valorizada)

- Fui mal orientado. E medicina é muito difícil de entrar, mas o curso de engenharia é mais difícil.

" O que é DNA?"

- É uma parte da célula que... Ops, você sabe o que são células?

" O que é transar?"

- Lulu, chega aqui, por favor!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Teste de pontaria

No início do ano passado eu fiz uma carteira fictícia para confirmar ou refutar a minha habilidade em prever quais ações tinham um bom potencial em 2016. As escolhidas foram: Grendene, Alpargatas, Paraná Banco, Guararapes, Schulz, Cetip e Porto Seguro.

Supondo que eu tivesse comprado no primeiro dia útil de janeiro e sacado tudo hoje, sem nenhuma movimentação nesta carteira, e que todas as ações tinham o mesmo peso, o resultado foi decepcionante: o Ibovespa, que é a referência do setor, subiu 37%, mais que o dobro a minha carteira fictícia (18%). Uma vergonha.

A boa notícia é que a carteira fictícia nunca foi real. Minhas posições foram: sair da Cemig PN com prejuízo, sair da Cetip ON com um bom lucro e me concentrar em Bradesco PN.

Bradesco PN subiu este ano incríveis 57%, o que prova que em termos de mercado acionário, eu estou escolhendo melhor que em janeiro.


domingo, 20 de novembro de 2016

Oitavo livro

Novembro terminando e é hora de rever as metas do post de fevereiro de 2016.

Ler 12 livros, Perder 15 quilos, escrever um livro e fazer um curso breve.

Acabei de ler o oitavo livro, "O jeito Warren Buffett de investir". Livro mais ou menos.






Não devo atingir a meta, mas volto a reclamar que um livro de quase 700 páginas vale por três, mas tudo bem.

Perdi até agora 5 quilos. Estou meio estacionado. Mas não estou muito chateado com isso, pois acho que estou bem e não quero ficar estressado, exigindo muito de mim. Seguir dieta é ser contra o mundo e o mundo é muito grande.

Curso breve eu fiz no trabalho mesmo, de três dias. O livro segue a passos lentos, porém possíveis. A meta de leitura de livros acabou concorrendo com a meta de escrever o livro. Para escrever um livro você tem que estudar muito. O medo de escrever besteiras é enorme. A nova meta do livro é meados de 2017. Vamos que vamos!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Biografias falsas

O meu interesse por Administração surgiu lendo biografias de grandes empreendedores e revistas Exame. Tudo parecia tão fácil, lógico e mágico, como se lidar com pessoas e convergir forças para uma direção comum fosse fácil. Mas eu gostava, era “literatura de saguão de aeroporto” pura, um mundo onde tudo caminha para o sucesso de forma linear.

Biografias de homens acima da média atraem, principalmente, quando envolvem dinheiro. Não conheço ninguém que leu sobre a vida do Einstein, aliás nem sei se existe alguma biografia do Einsten, mas nos anos 1980 e 1990 ficaram famosas as de personalidades como  Akio Morita e Lee Iacocca – esta obra em particular eu achei um porre -. Atraem porque levam a um mundo de fantasia, onde homens poderosos, constantemente bafejados pela sorte, com uma habilidade sem igual nos negócios e uma percepção aguda das oportunidades do futuro os levam inexoravelmente ao sucesso e à riqueza.

É tudo tão certinho, tão preciso, tão sequencial em direção ao podium que não pode ser real, não pode ser verídico. E não é: Tony Swartz, biógrafo de Donald Trump, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, disse que o livro que tornou o empresário famoso nos EUA como gênio nos negócios – A arte da negociação – é totalmente falso, um festival de adulterações de fatos sem precedentes. “Passei batom num porco”, cometou sutilmente à esquerdista The New Yoker.









http://www.newyorker.com/magazine/2016/07/25/donald-trumps-ghostwriter-tells-all

Pensando bem, talvez tenha precedentes. Talvez passar um batom bem vermelho no porco seja o habitual. Talvez quase todas as biografias sejam um festival de mentiras. Fico imaginando como idiotas devem se sentir aquelas pessoas que leem biografias de famosos na esperança de um dia ficarem famosos e ricos um dia. A moda agora é dizer que leem para “copiar o mindset”: acreditam que copiando um suposto jeito de pensar de um vencedor se tornarão vencedores. Neste jogo só quem vence são as editoras e o autores dos livros.

Uma vez uma brilhante professora de administração chamou a Exame de “a revista Contigo de empresários”. Hoje eu acredito que ela chamaria biografias de empreendedores de livros de Harry Potter.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sétimo livro

Este livro paradidático de aprendizagem de inglês estava disponível e serviu para eu criar coragem de ler um dos doze livros da meta deste ano em inglês. Depois do livro do professor Landes me concedi um refresco.

Ainda estou pesquisando qual livro em inglês eu conseguirei encarar até o final pois será uma experiência ótima:

- Aumentará a minha confiança na língua
- Aprenderei coisas novas
- Quebrará um tabu


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sexto livro

Acho que este foi o mais longo que já li: 600 páginas. Excelente, mas confesso que foi cansativo.