sábado, 21 de julho de 2012

Quarentão junior

Adoro ouvir a coluna do Max na CBN. Normalmente eu acompanho no site da rádio, porém é muito melhor ouvir dirigindo, no estressante fluxo do caos que são as vias brasileiras.Um dia um ouvinte mandou um e-mail dizendo que queria mudar "radicalmente" de profissão. Queria começar do zero.

Max afirmou que provavelmente ele estava por volta dos 40. Fiquei bolado e achei no primeiro momento algo muito preconceituoso.

Sábio Max, vários amigos meus estão nesta situação e por volta dos quarenta. Professores querendo algo mais artístico - e mais distante dos alunos-, psicólogos desejando ser inspetores de soldagem (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) e por aí vai.

Existe um grupo que está cansado do tipo de trabalho e decepcionado com o retorno que a sociedade dá aos seus esforços. Estes eu tenho muita, mas muita pena. O outro grupo eu não tenho pena nenhuma. São pessoas que escolheram os cursos e carreiras sabendo que seria muito difícil se sustentar e ainda por cima estudaram em escolas fraquíssimas, sem nenhum valor para o mercado. Foi tudo consciente. Achavam-se mais espertos ou especiais a ponto de seu destino profissional ser totalmente diferente da média. Apostaram alto, em uma roleta viciada e, ao perderem até as roupas íntimas, declaram-se "decepcionados com a profissão".

Um dia o meu grande amigo Ailton Arruda suspirou diante de uma situação: "Tem gente que só aprende quando fica velho e se descobre sozinho... As vezes todo mundo abandona o velho e pensa que os amigos e parentes são safados. As vezes quem foi safado a vida toda foi o velho". Seguindo a lógica Arrudiana, o fracasso profissional pode não ter sido causado por azar, recessão, crueldade do mercado ou qualquer outro fator externo. O fracasso pode ter começado e se desenvolvido internamente, materializado nas nossas escolhas.

Um comentário:

  1. :D

    Você não precisa ter pena de mim não, Newton. Eu dou meu jeito...

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